Nossa estadia no
Camboja vai ser breve, vamos apenas ver Angkor e ir embora, ficando
em um total de 3 dias. Antes de mais nada acho interessante falar um
pouco do Camboja e dar umas dicas.
A primeira dica é
fazer o visto antes de entrar na país. Isso pode ser conseguido
facilmente na internet e evita fila e temos alguns relatos também de
gente tentando cobrar mais caro pelo serviço. A segunda dica é não
trocar pela moeda local, já que em Siem Reap pelo menos todos usam
dólar e você só tem contato com o Riel (moeda da região) se tiver
azar em algum troco com um local. A terceira dica é não ficar em um
hotel cinco estrelas se você se considerar um mochileiro, já que
faz muito mal para o ego (não digo o mesmo do estômago e do seu
nível de stress).
Siem Reap não é a
capital do país (que é Phnom Pehh), mas é bem populosa com cerca
de um milhão de habitantes, vive basicamente do turismo de Angkor e
fora isso não tem muitas outras atrações. É possível encontrar
guias para as ruínas com facilidade e eles costumam fazer um preço
muito camarada (um chegou a me oferecer 13 dólares por dia inteiro).
Motorista para te levar tem aos milhares também e os preços são
muito bons.
Fora isso, vale aqui
lembrar que o Camboja é um país que está se reerguendo de uma
guerra civil devastadora, que veio como reflexo da guerra do Vietnã
onde o Khmer vermelho que possuía influência socialista chegou a
tomar a capital em 1975. A guerra foi responsável por milhões de
mortes, sendo que só em 1993 o país voltou a se integrar como uma
monarquia e hoje tenta recuperar o tempo perdido. As famosas minas
terrestres que sempre aparecem quando se fala no Camboja realmente
existem, mas hoje em dia são muito poucas e só se encontram na
fronteira montanhosa com a Tailândia nas áreas de florestas.
Mas voltando as
nossas aventuras de mochileiros envergonhados (na verdade o André
parecia bem feliz), marcamos com nosso guia bem cedo no hotel e após
um café da manhã bem farto (a vergonha passou um pouco) nos
encontramos com o Ken, que para a decepção do André não parecia
em nada com o namorado da Barbie. Optamos por fazer nossa viagem com
um sempre encapetado tuk tuk.
A história por trás
de Angkor é riquíssima e vou ter de resumir muito aqui, mas vou
tentar fazer o melhor possível.
Essa região era
onde se localizava o Império Khmer, que habitou a região do século
IX até o XIV, tendo o seu auge pelo século XII. Esse império era
muito rico e extremamente poderoso, muito em razão daquela região
possibilitar três colheitas por ano, o que os enxia de comida. A
estrutura do lugar era/é impressionante, com cerca de 1.000
quilômetros quadrados de área urbana com o que se acreditava ter um
milhão de habitantes, o que faria ela ser a região mais populosa do
mundo para a época.
Existem mais de 100
templos nessa região e os mais antigos são dedicados para o
hinduísmo, mas posteriormente aparecem os templos budistas. Essa
transição é importante para entendermos essa região, pois até
por volta do meio do século XII o hinduísmo era muito mais
representativo e todos os seus templos eram dedicados a essa
religião, mas em 1181 o trono foi conquistado por Jayavarman VII que
era budista. Como não era possível converter seus súditos
facilmente, Jayarman teve a ideia de unir as duas religiões, tendo
ele como o Buda. Com isso vários templos hinduístas tiveram imagens
de Buda colocados no lugar de Vishnu, Shiva e outros deuses hindus.
Após sua morte, várias dessas alterações foram desfeitas e o
hinduísmo voltou a ser a religião dominante, pelo menos até o
século XIV onde o budismo voltou.
Me questionei por um
tempo a razão do André insistir tanto para visitar Angkor e cheguei
a conclusão que deveria ser porque aqui poderia fazer muitos fotos
“de boa” legais, mas eu estava enganado, na verdade ele queria
vir para cá pois adorou o filme do Tomb Raider com a Angelina Jolie
que foi filmado em Angkor. Esse André é um poço de cultura!
No primeiro dia
visitamos Angkor Wat, Angkor Thom, Prasat Preah Khan e Prasat Ta
Prum.
Angkor Wat é uma
das principais atrações e é o maior e mais preservado templo. Como
muitos, iniciou com um templo hindu(dedicado a Vishnu) e foi
transformado em budista posteriormente. O templo é tão importante
que aparece na bandeira do Camboja e é considerada a maior estrutura
religiosa já construída. Foi construído por Suryavarman II em 37
anos (1113 – 1150) para ser o principal templo e capital, sendo que
só ali viviam cerca de 20.000 pessoas. Como todo templo hindu que
vimos, Angkor Wat simboliza o universo e o Monte Meru, que é a
morada dos Deus. Assim como o Monte Meru, os templos hindus possuem
cinco picos simbolizados por torres. Seu antigo nome era Preah
Pisnulok (nome póstumo de Suryavarman II), é considerado patrimônio
da humanidade pela UNESCO e vamos esperar que o André não apronte
nada com ele.
Angkor Thom foi a
cidade capital do Império Khmer, que surgiu no final do século XII
na época de Jayavarman VII. Os seus quatro grandes portais era
fechados ao anoitecer e guardados por um imenso exército, sendo que
no seu centro existe Prasat Bayon, que é um enorme templo que foi
primeiramente dedicado a Buda, mas após a morte do monarca passou a
ser hindu. Estima-se que até 150.000 pessoas possam ter habitado
entre esse muros.
| "Ajuda" artística que um provável brasileiro deu ao templo. |
Prasat Phreah Khan é
um templo construído por Jayavarman VII para honrar o seu pai. É um
templo com áreas retangulares em volta de um santuário budista. O
grande destaque aqui foi que o abandono do templo fez com que
crescessem encrustados no mesmo diversas árvores gigantes. As raízes
dessas árvores contribuíram para a deterioração do templo, mas
deram um aspecto incrível ao mesmo.
Nossa última parada
foi Prasat Ta Prum, que também foi feito na época de Jayavarman VII
como um monastério budista e universidade. Como o templo anterior,
também foi tomado por árvores, aumentando mais ainda o seu
explendor.
| Não é um templo, mas ficou legal. |
Esses foram nossos
destinos do dia, mas vale aqui a pena falar de dois fatos
interessantes. O primeiro deles foi que encontramos no meio do
caminho um motoqueiro brasileiro que está fazendo uma viagem de moto
de seis meses, indo da França até a Austrália(!!). O nome do
motoqueiro é Ricardo Lugris e ele é bem famoso no meio, tendo
escrito várias matérias para a revista Duas Rodas e tem também uma
página só para suas viagens (rotaway.com.br), além de que essa viagem deve virar livro. O segundo fato que
vale o registro é que sempre que entramos ou saímos de algum
templo, somos atacados por infinitos vendedores de bugigangas, muitos
deles crianças e falando várias linguagens. Me lembrou um pouco
Salvador e eles tentam apelar para o seu emocional para conseguir
dinheiro e normalmente vão nas mulheres e nos mais fracos do grupo,
o que faz com que o André se torne um verdadeiro imã para pedintes,
ainda mais quando ele decide comprar algo e tira uma nota alta do
bolso pedindo para trocar. Acho que nem nos tempos áureos de Angkor
existiu uma população maior do que a que se amontoava junto ao
André quando ele fazia isso.
| Ricardo Lugris. |
Porra, Betoph, é A MESMA CAMISA de todas as outras viagens?! Isso é simpatia ou o quê?
ResponderExcluirÉ a crise!!!Ou camisas novas ou viagem...
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