A programação está
corrida, tão corrida que não tenho tido tempo para minhas corridas
(infame). Hoje vamos visitar a cidade de Ayutthaya e depois ver a um
evento igualmente cultural, que são as joelhadas voadoras e narizes
quebrados de algumas lutas de Muay Thai no estádio Ratchdamnoen
(saúde!).
Acordamos cedo e
fomos com um transporte fretado até Ayutthaya, que fica a uns 70 km
de Bangkok. Pode parecer apenas um nome impronunciável para nós,
mas na verdade é um nome impronunciável com muita história.
Essa foi uma cidade
fundada em 1350 e foi a capital do Reino do Sião por uns 400 anos,
além de ter sido nada mais do que a maior cidade do planeta em 1760
(com um milhão de habitantes). A cidade era rica por templos,
estátuas e monastérios belíssimos, mas em 1767 foi saqueada e
destruída pelo exército da Birmânia (hoje Myanmar). O massacre é
bem famoso e vários palácios viraram ruínas, estátuas de budas
foram decapitadas e muita gente morreu. Hoje é possível visitar
essas ruínas e ainda tem muitas atrações interessantes para ver.
Fomos com um grupo
de pessoas bem diversas, algumas holandesas que tinham pavor de
lâminas de depilar, uns colombianos simpáticos e um senhor figuraça
do Sudão. Esse senhor, que fica em um país que conhecemos apenas
pela piada sobre as mulheres de lá (as mulheres do Su-dão!), veio
com roupa social para uma passeio que era todo feito em um sol de uns
40 graus, além de ficar fazendo todos tirarem fotos perfeitas dele
com sua câmera caríssima e trejeitos engraçados.
O passeio foi bem
corrido e vimos muita coisa em pouco tempo, o que não
necessariamente é bom, ainda mais nesse sol. O André que já
começou a viagem mais gordo e velho do que nunca, quase veio a se
desfazer em suor, a única razão dele seguir em frente foi a
curiosidade pelos mistérios da ex(r)ótica religião que ele acha
que é praticada por ali, o buNdismo.
Vimos templos, budas
de todos os tipos, muitas ruínas e monges. Os mais interessantes são
o buda reclinado de 43 metros (o quarto maior do mundo), o buda dourado e a cabeça do buda na raiz de uma árvore.
Era interessante que
os monges tiravam fotos com os turistas, mas pediam para não serem
tocados pelas mulheres ou mesmo que não chegassem muito perto. A
cabeça do buda na raiz da árvore tem uma origem desconhecida, mas
suspeitam que foi uma cabeça de buda decepada pelos birmaneses e que
ficou presa em uma raiz de árvore que cresceu a sua volta. O buda dourado é magnífico e fica em um templo do lado de onde estão as
ruínas do antigo palácio real.
Mas a grande
aventura do dia foi o almoço, que era uma verdadeira prova de
coragem para o mais aventureiros. Ainda não consegui me acostumar
com a comida daqui, alguns pratos são indecifráveis e tudo leva
MUITA pimenta! No final ficamos quase passando fome mesmo que era o
mais seguro a se fazer.
| Cole um papel dourado e faça um pedido. |
| Cabeça de buda na raiz de árvore. |
| Buda reclinado de 43 metros. |
| Ruínas do Palácio Real. |
| Gigantesco buda dourado. |
Voltamos lá pelas
cinco da tarde no hostel e já fomos nos aprontar para a próxima
aventura, que era assistir as lutas de Muay Thai no estádio
Ratchdamnoen.
O Muay Thai é o
esporte nacional daqui e é uma luta de muito impacto, sendo
permitido socos, chutes joelhadas e cotoveladas. O povo vibra com as
lutas e a todo momento tem uma sendo transmitida em alguma TV a
qualquer hora do dia.
Conseguimos um lugar
do lado do ringue, o que nos custou uma boa grana (2000 Baht, que dá
uns 220 reais), mas conseguimos ver bem de perto as oito últimas
lutas da noite, com direito a sangue, joelhadas e nocautes
fulminantes. O André ficava empolgadíssimo, e disse que pegava
todos fácil (não identifiquei o sentido), mas em especial um
lutador que aparentava ter uns 12 anos e pesava 43 kg(em qualquer
sentido isso daria cadeia para o André). Em uma luta entre os dois,
eu apostaria fácil no garoto, a não ser que o André caísse por
cima dele e usasse o seu peso descomunal para transformar os ossos do
pobre garoto em papinha.
Para voltar para o
hostel, usamos o tuk tuk, que é uma forma de transporte bem singular
daqui. Uma moto de três rodas que no trânsito me lembrou uma
espécie de chihuahua raivoso que parte para cima de pitbulls, pois
não importa o tamanho do veículo que esteja por perto, o tuk tuk
avança ferozmente para cima de todos, atacando carros, ônibus,
caminhões e perseguindo algum ocasional pedestre. Mas no final
chegamos razoavelmente intactos, pendendo apenas a dignidade do André
que apavorado, abraçou o motorista durante a viagem e não queria
mais soltar quando chegamos.
| Esse o André falou que pegava(!) |
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