segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Dia 3 – Tailândia – Bangkok – Ayutthaya e joelhadas voadoras

    A programação está corrida, tão corrida que não tenho tido tempo para minhas corridas (infame). Hoje vamos visitar a cidade de Ayutthaya e depois ver a um evento igualmente cultural, que são as joelhadas voadoras e narizes quebrados de algumas lutas de Muay Thai no estádio Ratchdamnoen (saúde!).

    Acordamos cedo e fomos com um transporte fretado até Ayutthaya, que fica a uns 70 km de Bangkok. Pode parecer apenas um nome impronunciável para nós, mas na verdade é um nome impronunciável com muita história.

    Essa foi uma cidade fundada em 1350 e foi a capital do Reino do Sião por uns 400 anos, além de ter sido nada mais do que a maior cidade do planeta em 1760 (com um milhão de habitantes). A cidade era rica por templos, estátuas e monastérios belíssimos, mas em 1767 foi saqueada e destruída pelo exército da Birmânia (hoje Myanmar). O massacre é bem famoso e vários palácios viraram ruínas, estátuas de budas foram decapitadas e muita gente morreu. Hoje é possível visitar essas ruínas e ainda tem muitas atrações interessantes para ver.

    Fomos com um grupo de pessoas bem diversas, algumas holandesas que tinham pavor de lâminas de depilar, uns colombianos simpáticos e um senhor figuraça do Sudão. Esse senhor, que fica em um país que conhecemos apenas pela piada sobre as mulheres de lá (as mulheres do Su-dão!), veio com roupa social para uma passeio que era todo feito em um sol de uns 40 graus, além de ficar fazendo todos tirarem fotos perfeitas dele com sua câmera caríssima e trejeitos engraçados.

    O passeio foi bem corrido e vimos muita coisa em pouco tempo, o que não necessariamente é bom, ainda mais nesse sol. O André que já começou a viagem mais gordo e velho do que nunca, quase veio a se desfazer em suor, a única razão dele seguir em frente foi a curiosidade pelos mistérios da ex(r)ótica religião que ele acha que é praticada por ali, o buNdismo.

    Vimos templos, budas de todos os tipos, muitas ruínas e monges. Os mais interessantes são o buda reclinado de 43 metros (o quarto maior do mundo), o buda dourado e a cabeça do buda na raiz de uma árvore.

    Era interessante que os monges tiravam fotos com os turistas, mas pediam para não serem tocados pelas mulheres ou mesmo que não chegassem muito perto. A cabeça do buda na raiz da árvore tem uma origem desconhecida, mas suspeitam que foi uma cabeça de buda decepada pelos birmaneses e que ficou presa em uma raiz de árvore que cresceu a sua volta. O buda dourado é magnífico e fica em um templo do lado de onde estão as ruínas do antigo palácio real.

    Mas a grande aventura do dia foi o almoço, que era uma verdadeira prova de coragem para o mais aventureiros. Ainda não consegui me acostumar com a comida daqui, alguns pratos são indecifráveis e tudo leva MUITA pimenta! No final ficamos quase passando fome mesmo que era o mais seguro a se fazer.




Cole um papel dourado e faça um pedido.





Cabeça de buda na raiz de árvore.





Buda reclinado de 43 metros.







Ruínas do Palácio Real.




Gigantesco buda dourado.


Voltamos lá pelas cinco da tarde no hostel e já fomos nos aprontar para a próxima aventura, que era assistir as lutas de Muay Thai no estádio Ratchdamnoen.

O Muay Thai é o esporte nacional daqui e é uma luta de muito impacto, sendo permitido socos, chutes joelhadas e cotoveladas. O povo vibra com as lutas e a todo momento tem uma sendo transmitida em alguma TV a qualquer hora do dia.

Conseguimos um lugar do lado do ringue, o que nos custou uma boa grana (2000 Baht, que dá uns 220 reais), mas conseguimos ver bem de perto as oito últimas lutas da noite, com direito a sangue, joelhadas e nocautes fulminantes. O André ficava empolgadíssimo, e disse que pegava todos fácil (não identifiquei o sentido), mas em especial um lutador que aparentava ter uns 12 anos e pesava 43 kg(em qualquer sentido isso daria cadeia para o André). Em uma luta entre os dois, eu apostaria fácil no garoto, a não ser que o André caísse por cima dele e usasse o seu peso descomunal para transformar os ossos do pobre garoto em papinha.

Para voltar para o hostel, usamos o tuk tuk, que é uma forma de transporte bem singular daqui. Uma moto de três rodas que no trânsito me lembrou uma espécie de chihuahua raivoso que parte para cima de pitbulls, pois não importa o tamanho do veículo que esteja por perto, o tuk tuk avança ferozmente para cima de todos, atacando carros, ônibus, caminhões e perseguindo algum ocasional pedestre. Mas no final chegamos razoavelmente intactos, pendendo apenas a dignidade do André que apavorado, abraçou o motorista durante a viagem e não queria mais soltar quando chegamos.




Esse o André falou que pegava(!)




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