A rápida passagem
por Amsterdã não pode ser considerada uma viagem no sentido
literal, mas fumamos tanta maconha indiretamente que acho que podemos
considerá-la uma “viagem” em um sentido mais abstrato. De
qualquer forma é hora de começarmos nossa passagem pela Ásia.
Pobre Ásia!
Após mais umas dez
longas horas de avião, chegamos a Bangkok que é a capital da
Tailândia e seu centro mais populoso. A moeda aqui é o Baht, que
vale aproximadamente 1/9 do Real e 1/35 do dólar, mas o grande
“problema” daqui é que a língua falada é o Tailandês, que é
algo completamente diferente de tudo que já tínhamos ouvido e a
caligrafia deles também é bem única, o que faz com que não
consigamos nem ler uma simples placa de rua.
Se alguém já
pensou em viajar para a Tailândia, deve ter ouvido de algum
“entendido” do assunto que é possível se virar facilmente com o
inglês e que todos aqui falam a língua. Bom, tenho más notícias
mas isso é uma grande mentira! Poucos aqui falam inglês e para ter
uma ideia do nível dos que falam, basta dizer que o André comparado
com eles é quase um bacharel em linguá inglesa! A maioria das
pessoas que lida com turistas acaba decorando uma ou duas palavras e
as usa frequentemente, sendo sempre monossilábicos na resposta. Um
exemplo é que quando fazemos qualquer pergunta a qualquer pessoa,
essa geralmente ri e fala “yes” e depois continua fazendo o que
já estava fazendo sem realmente nos entender.
Pelo menos digo que
é divertido ver o André (tentar) se comunicar com eles. Geralmente
o André começa imitando o seu tradicional elefante, depois rola um
pouco no chão e imita o que parecem ser posições sexuais
aprendidas nas ruas de Amsterdã e por fim recebe um “yes” e sai
satisfeito com a “comunicação”.
Aliás, o André
insistiu muito para que essa viagem acontecesse, pois ele parece ter
um grande interesse na Tailândia, já que aqui é um dos lugares
mais procurados do mundo para se fazer operações de mudança de
sexo, além de que ele me contou que 95% da população parece adotar
uma religião que ele acha que se chama buNdismo. Não contei que ele
estava enganado sobre essa segunda parte(apenas a segunda), mas devo
dizer que o André parece que encontrou a sua vocação religiosa.
Chegamos pelo final
da manhã na cidade, mas caímos em uma pegadinha e tivemos que sair
da fila da imigração para conseguir uma autorização médica para
entrar no país. Felizmente eles só pediram a vacina de febre
amarela (que ao contrário da viagem na Austrália, o André não
perdeu dessa vez) e não fez nenhum exame psicológico/psicotécnico
com o André ou comigo, o que nos possibilitou entrar tranquilamente
no país.
Trocamos um pouco de
dinheiro e fomos de táxi até o hostel. O taxista fez como todos os
outros, olhou para o endereço, fez cara de quem estava perdido,
pensou um bom tempo e depois lembrou como chegar lá (e o endereço
era relativamente simples), isso sem contar que abanava a cabeça
afirmativamente sempre que perguntávamos algo, o que deixou o André
feliz por estar achando que a comunicação estava sendo bem
sucedida.
Depois de acomodados
no hostel Chern onde os atendentes falavam um inglês bem melhor
(quase passável), fomos até a Khao San Road, que é a rua onde os
mochileiros costumam ir. Lá tem gente vendendo de tudo,
especialmente ternos (não me pergunte a razão!) que tentam nos
empurrar o tempo todo e guloseimas como escorpiões no palitinho. Eu
soube que eles não comem isso e fazem só para turistas,
provavelmente devem até rir do corajoso que prova a “iguaria”,
mas acredito também que os vendedores de ternos devem se comportar
igual, já que só um louco iria vestir um terno em um clima como o
deste lugar, que se aproxima muito com o que imagino que seja o
inferno, mas um pouco mais quente e úmido. Aproveitamos a passagem
na rua para fechar os passeios dos dias seguintes e o que ficou para
aquele fim de dia foi o River Cruise.
Uma dica importante
é sempre pechinchar tudo por aqui que sempre se consegue um
desconto, no nosso caso específico o André ele começa a repetir o
nome da Dilma freneticamente e simular que está enxugando as
lágrimas com as mãos e depois mostra o bolso vazio. Como no final
conseguimos o desconto, não vou questionar o método.
O River Cruise é um
passeio de cruzeiro que passa pelo rio Chao Phraya e na frente de
vários lugares famosos, como Wat Arun, Grand Palace e Wat Pha Kaew,
isso tudo com um buffet incluído e música ao vivo. O passeio é
muito bonito, a comida muito farta mas extremamente apimentada (com
muitos frutos do mar) e a paisagem noturna muito bonita. Teria sido
uma noite perfeita, mas você não pode ter algo de garbo e elegância
que o André já apronta uma vergonha. Dessa vez ele derramou o drink
de cortesia, que era uma espécie de groselha (sem álcool) e que
suja igual groselha. Os pobres garçons nos jogaram para um mesa no
“cantinho do pensamento” e bem longe das pessoas civilizadas.
| André pensando na coisa feia que fez. |
| Decoração inusitada. |
| Todos rezando antes de servir o André |
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