quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Dia 6 – Camboja – Siem Riep – Angkor e o ataque dos pedintes

   Nossa estadia no Camboja vai ser breve, vamos apenas ver Angkor e ir embora, ficando em um total de 3 dias. Antes de mais nada acho interessante falar um pouco do Camboja e dar umas dicas.

    A primeira dica é fazer o visto antes de entrar na país. Isso pode ser conseguido facilmente na internet e evita fila e temos alguns relatos também de gente tentando cobrar mais caro pelo serviço. A segunda dica é não trocar pela moeda local, já que em Siem Reap pelo menos todos usam dólar e você só tem contato com o Riel (moeda da região) se tiver azar em algum troco com um local. A terceira dica é não ficar em um hotel cinco estrelas se você se considerar um mochileiro, já que faz muito mal para o ego (não digo o mesmo do estômago e do seu nível de stress).

    Siem Reap não é a capital do país (que é Phnom Pehh), mas é bem populosa com cerca de um milhão de habitantes, vive basicamente do turismo de Angkor e fora isso não tem muitas outras atrações. É possível encontrar guias para as ruínas com facilidade e eles costumam fazer um preço muito camarada (um chegou a me oferecer 13 dólares por dia inteiro). Motorista para te levar tem aos milhares também e os preços são muito bons.

    Fora isso, vale aqui lembrar que o Camboja é um país que está se reerguendo de uma guerra civil devastadora, que veio como reflexo da guerra do Vietnã onde o Khmer vermelho que possuía influência socialista chegou a tomar a capital em 1975. A guerra foi responsável por milhões de mortes, sendo que só em 1993 o país voltou a se integrar como uma monarquia e hoje tenta recuperar o tempo perdido. As famosas minas terrestres que sempre aparecem quando se fala no Camboja realmente existem, mas hoje em dia são muito poucas e só se encontram na fronteira montanhosa com a Tailândia nas áreas de florestas.

    Mas voltando as nossas aventuras de mochileiros envergonhados (na verdade o André parecia bem feliz), marcamos com nosso guia bem cedo no hotel e após um café da manhã bem farto (a vergonha passou um pouco) nos encontramos com o Ken, que para a decepção do André não parecia em nada com o namorado da Barbie. Optamos por fazer nossa viagem com um sempre encapetado tuk tuk.

    A história por trás de Angkor é riquíssima e vou ter de resumir muito aqui, mas vou tentar fazer o melhor possível.

    Essa região era onde se localizava o Império Khmer, que habitou a região do século IX até o XIV, tendo o seu auge pelo século XII. Esse império era muito rico e extremamente poderoso, muito em razão daquela região possibilitar três colheitas por ano, o que os enxia de comida. A estrutura do lugar era/é impressionante, com cerca de 1.000 quilômetros quadrados de área urbana com o que se acreditava ter um milhão de habitantes, o que faria ela ser a região mais populosa do mundo para a época.

    Existem mais de 100 templos nessa região e os mais antigos são dedicados para o hinduísmo, mas posteriormente aparecem os templos budistas. Essa transição é importante para entendermos essa região, pois até por volta do meio do século XII o hinduísmo era muito mais representativo e todos os seus templos eram dedicados a essa religião, mas em 1181 o trono foi conquistado por Jayavarman VII que era budista. Como não era possível converter seus súditos facilmente, Jayarman teve a ideia de unir as duas religiões, tendo ele como o Buda. Com isso vários templos hinduístas tiveram imagens de Buda colocados no lugar de Vishnu, Shiva e outros deuses hindus. Após sua morte, várias dessas alterações foram desfeitas e o hinduísmo voltou a ser a religião dominante, pelo menos até o século XIV onde o budismo voltou.

    Me questionei por um tempo a razão do André insistir tanto para visitar Angkor e cheguei a conclusão que deveria ser porque aqui poderia fazer muitos fotos “de boa” legais, mas eu estava enganado, na verdade ele queria vir para cá pois adorou o filme do Tomb Raider com a Angelina Jolie que foi filmado em Angkor. Esse André é um poço de cultura!

    No primeiro dia visitamos Angkor Wat, Angkor Thom, Prasat Preah Khan e Prasat Ta Prum.

    Angkor Wat é uma das principais atrações e é o maior e mais preservado templo. Como muitos, iniciou com um templo hindu(dedicado a Vishnu) e foi transformado em budista posteriormente. O templo é tão importante que aparece na bandeira do Camboja e é considerada a maior estrutura religiosa já construída. Foi construído por Suryavarman II em 37 anos (1113 – 1150) para ser o principal templo e capital, sendo que só ali viviam cerca de 20.000 pessoas. Como todo templo hindu que vimos, Angkor Wat simboliza o universo e o Monte Meru, que é a morada dos Deus. Assim como o Monte Meru, os templos hindus possuem cinco picos simbolizados por torres. Seu antigo nome era Preah Pisnulok (nome póstumo de Suryavarman II), é considerado patrimônio da humanidade pela UNESCO e vamos esperar que o André não apronte nada com ele.







    Angkor Thom foi a cidade capital do Império Khmer, que surgiu no final do século XII na época de Jayavarman VII. Os seus quatro grandes portais era fechados ao anoitecer e guardados por um imenso exército, sendo que no seu centro existe Prasat Bayon, que é um enorme templo que foi primeiramente dedicado a Buda, mas após a morte do monarca passou a ser hindu. Estima-se que até 150.000 pessoas possam ter habitado entre esse muros.




"Ajuda" artística que um provável brasileiro deu ao templo.








Prasat Phreah Khan é um templo construído por Jayavarman VII para honrar o seu pai. É um templo com áreas retangulares em volta de um santuário budista. O grande destaque aqui foi que o abandono do templo fez com que crescessem encrustados no mesmo diversas árvores gigantes. As raízes dessas árvores contribuíram para a deterioração do templo, mas deram um aspecto incrível ao mesmo.










Nossa última parada foi Prasat Ta Prum, que também foi feito na época de Jayavarman VII como um monastério budista e universidade. Como o templo anterior, também foi tomado por árvores, aumentando mais ainda o seu explendor.




Não é um templo, mas ficou legal.











Esses foram nossos destinos do dia, mas vale aqui a pena falar de dois fatos interessantes. O primeiro deles foi que encontramos no meio do caminho um motoqueiro brasileiro que está fazendo uma viagem de moto de seis meses, indo da França até a Austrália(!!). O nome do motoqueiro é Ricardo Lugris e ele é bem famoso no meio, tendo escrito várias matérias para a revista Duas Rodas e tem também uma página só para suas viagens (rotaway.com.br), além de que essa viagem deve virar  livro. O segundo fato que vale o registro é que sempre que entramos ou saímos de algum templo, somos atacados por infinitos vendedores de bugigangas, muitos deles crianças e falando várias linguagens. Me lembrou um pouco Salvador e eles tentam apelar para o seu emocional para conseguir dinheiro e normalmente vão nas mulheres e nos mais fracos do grupo, o que faz com que o André se torne um verdadeiro imã para pedintes, ainda mais quando ele decide comprar algo e tira uma nota alta do bolso pedindo para trocar. Acho que nem nos tempos áureos de Angkor existiu uma população maior do que a que se amontoava junto ao André quando ele fazia isso. 

Ricardo Lugris.



3 comentários:

  1. Porra, Betoph, é A MESMA CAMISA de todas as outras viagens?! Isso é simpatia ou o quê?

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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